quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rio cria nova secretaria e antecipa reajuste a bombeiros


O governo do Rio anunciou na tarde desta quinta-feira a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil, que será chefiada pelo coronel Sérgio Simões, que fora nomeado comandante-geral do Corpo de Bombeiros no último sábado (4), após a invasão do quartel general da corporação por bombeiros que pleiteavam aumento salarial. Simões agora acumulará os dois cargos.

Com isso, os bombeiros e a Defesa Civil saem da esfera da Secretaria de Saúde, comandada por Sérgio Côrtes.
O governo anunciou ainda que antecipará seis meses de reajustes salariais a bombeiros, policiais militares e civis e agentes penitenciários. Foi enviada à Assembleia Legislativa mensagem concedendo aumento imediato de 5,58% aos 127.276 servidores ativos, aposentados e pensionistas englobados nessas quatro categorias. O impacto orçamentário será de R$ 323 milhões.
Com isso, o salário-base dos bombeiros passará de R$ 1.151 para R$ 1.215, segundo dados oficiais do governo os bombeiros dizem que o salário-base da categoria é de R$ 950.
O aumento ainda é muito aquém dos R$ 2.000 de piso reivindicados pelos bombeiros antes da prisão de 439 invasores do quartel no sábado. Desde então, os bombeiros transformaram a libertação dos seus colegas na principal reivindicação, e parte de seus líderes diz que só negociará a questão salarial após a soltura.

INVASÃO

Na noite da última sexta-feira (3), o quartel central do Corpo de Bombeiros do Rio foi ocupado por cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, alguns acompanhados por familiares mulheres e crianças que reivindicam melhores salários. Durante quase cinco horas das 21h às 2h o comandante geral da PM, coronel Mario Sergio Duarte, esteve no local negociando com os invasores. Ao longo da madrugada, alguns bombeiros deixaram o quartel.
Policiais militares do Batalhão de Choque invadiram às 6h do sábado (4) o quartel com o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. O comandante do batalhão de choque, Valdir Soares, ficou ferido durante a ação. Uma criança de dois anos foi atendida no hospital Souza Aguiar por ter inalado gás e, logo após, liberada.
Os líderes da invasão ao quartel podem ser condenados a até 12 anos de reclusão, de acordo com código penal militar.

"VÂNDALOS"

Em entrevista coletiva no sábado (4), o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), qualificou os bombeiros que invadiram o quartel de "vândalos irresponsáveis" e a invasão de ação 'inaceitável do ponto de vista do Estado de Direito democrático e do respeito à instituição centenária, admirada pelo povo do Rio de Janeiro'.
Cabral refutou a alegação dos manifestantes de que recebiam o pior salário do país, dizendo que, em seu governo, a corporação está tendo pela primeira vez um plano de recuperação salarial.
No dia, Cabral anunciou o coronel Sergio Simões como novo comandante do Corpo de Bombeiros e subsecretário de Defesa Civil do Estado, no lugar do coronel Pedro Machado.

Folha de São Paulo

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