segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E viva a emenda de feriado

Está tudo de pernas pro ar. Eu ouvia dos nossos sócios americanos e europeus que o Brasil não ia para frente por causa desse monte de feriados entre outras coisas. Era um tal de abolição disso, proclamação daquilo e até um tal de dentista sem falar no feriado da Marta, o da Consciência Negra.
Poucos brasileiros sabem explicar todos os feriados, e há muitos que não sabem definir um sequer. 25 de Março é rua, como também 13 de Maio ou 9 de Julho.
Mas têm os gringos razão quando criticam o excesso de feriados? Tem a produtividade real uma relação de causa e efeito com a quantidade de trabalho? Excetuando linhas de montagem e produções que só possam ser medidas no tempo, o que vejo é a procura de um equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida, que não se mede em horas.
Hoje a Europa e os EUA vivem sintomas substanciais de deterioração, e têm reduzido as suas horas semanais de trabalho. Mas a Alemanha, Escandinávia e Holanda, por exemplo, trabalham menos horas semanais do que Grécia e Itália, e está nítida a diferença de solidez inversamente proporcional. A Califórnia, a Rio de Janeiro de lá, não autoriza como aqui caçoar dos que procuram equilíbrio, e trabalham menos e com mais cabeça.
Quando, nos anos 80, diminuímos na empresa as horas semanais de 48 para 42, todos os estudos nossos e da Fiesp garantiam que teria que ser feito um ajuste quase proporcional no faturamento. Claro que isto não ocorreu, nem na linha de produção.
Naquela época estudei um pouco a história da semana laboral, na biblioteca da Fiesp, e descobri um documento onde Jorge Street defendia a ideia, no final dos anos 20, de que operários deveriam ter direito a férias. Os empresários associados (nos centros de indústrias da época, antes da) rebatiam, citando estudos segundo os quais os operários somente trabalhavam com o corpo, e que a cabeça estava sempre descansada. Assim, não havia razão para férias no caso deles.
Similar humor, com igual seriedade dos patrões, caberia na discussão de feriados e tempo livre hoje em dia. Daqui a algumas décadas, rirão da pressão dos empresários para a chegada no horário no "serviço", horas trabalhadas e mesmo o conceito de compra do tempo dos funcionários ao invés de talento e resultado.
Há incontáveis formas de contratar com as pessoas de uma empresa pelo resultado esperado delas. Há que liberar os funcionários da agonia do relógio de ponto que pende como uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de quem tem um emprego.
Se as emendas de feriado perturbam os patrões, o que dizer do hábito antiquado de construir sedes e forçar as pessoas a passarem uma média de 3 horas por dia tentando chegar lá, e de volta para casa? Equivalem a 80 dias inteiros a cada ano, contra oito de emendas de feriado.
Não cabe mais ficar medindo o trabalho assim, é hora de aceitar que feriadões são patrimônio cultural inteligente dos brasileiros. Faltam apenas os patrões se darem conta de sua parte. Enquanto isso, que aproveitem a emenda... E na quarta-feira, olho na hora!

Ricardo Semler

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Baixos salários, “bicos” e desrespeitos à profissão de professor

Recente estudo de professores da Universidade de São Paulo - USP, com base na Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad/IBGE-2009), revelou que cerca de 10% dos/as docentes brasileiros/as da educação básica complementam suas rendas com atividades desempenhadas fora do magistério, sobretudo através de vendas de cosméticos.
Para quem vive o dia a dia das escolas públicas, os resultados da pesquisa surpreendem mais pelo baixo percentual de quem pratica outras ocupações do que em razão de os/as professores/as terem que complementar, de fato, os baixos salários a que estão submetidos na maior parte do país.
Outro dado relevante sobre a complementaridade da renda familiar da categoria do magistério pode ser extraído do Censo do Professor (MEC/INEP-2009). O estudo indica que, pelo menos, 1/3 (um terço) do professorado da educação básica pública desempenha dupla ou tripla jornada de trabalho na profissão. Ou seja: a renda é reforçada por meio do principal instrumento de trabalho, porém de forma que compromete a saúde do/a educador/a e a própria qualidade do ensino.
A recorrente economia de recursos do Estado, que concedeu ao magistério a possibilidade de possuir mais de um vínculo empregatício no setor público e que exime os gestores de investir na formação inicial e continuada e nas condições de trabalho da categoria, cada vez mais colide com a perspectiva de melhorar a qualidade da educação. Pior: ao invés de reverter essa realidade, as administrações públicas - paradoxalmente e com o apoio da parcela da mídia subserviente - investe na responsabilização dos/as educadores/as pela baixa qualidade dos sistemas de ensino, cuja gestão, em sua maioria, não permite a participação da comunidade escolar nos processos de formulação, aplicação e verificação das políticas públicas.
Por óbvio que os problemas inerentes à qualificação profissional do magistério não se restringem ao salário. Mas esse, conjugado com a expectativa de carreira e de valorização social da profissão, é o maior deles. Corroborando essa tese, o diagnóstico da meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da remuneração do magistério, revela que o/a professor/a com formação de nível médio (curso de magistério) detém renda média 38% acima dos demais trabalhadores brasileiros com escolaridade similar. Contudo, essa relação se inverte, na mesma proporção, quando o/a professor/a com formação de nível superior (maioria no Brasil) tem sua renda comparada com os demais trabalhadores de formação universitária. E isso é um fator de desestímulo à qualificação, ainda mais quando o próprio professor precisa arcar com o ônus financeiro de sua formação ou quando não dispõe de concessão de tempo pelos gestores para fazê-la adequadamente.
Para a CNTE, o piso nacional do magistério - vinculado à carreira - representa um primeiro passo na direção da equidade laboral dos/as educadores/as no país, condição fundamental para elevar a qualidade da educação com equidade. Mas muitos governadores e prefeitos - e, agora, até a justiça de um Estado, o Pará, em confronto com a decisão do Supremo Tribunal Federal - insistem em não observar a norma federal que também prevê jornada de trabalho para o/a professor/a com tempo dedicado às atividades extra-sala de aula (preparação e correção de atividades, reuniões pedagógicas e com os pais, formação no local de trabalho, dentre outras).
Outras questões afetas à qualidade da educação e que desestimulam o ingresso da juventude na profissão, ou que afastam, por doença ou desestímulo, os atuais professores das redes de ensino, consistem nas defasagens da formação inicial (sob responsabilidade majoritária de faculdades privadas, ou provida em cursos à distância), na falta de qualificação permanente ofertada pelo Estado, nas jornadas de trabalho incompatíveis com a profissão, nas deficientes formas de contratação no serviço público e nas precárias condições de trabalho e de vida oferecidas aos profissionais - em sua maioria mulheres, o que denota discriminação de gênero nesse setor de atividade profissional. E, sem que esses pontos sejam devidamente contornados, pouco se avançará na valorização do magistério e dos demais profissionais da educação e na melhoria da qualidade do ensino público.

CNTE

Lupi diz que demissão de ministro do Esporte foi injusta


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse hoje que o ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PC do B) foi vítima de uma "injustiça" e que ele vai "inverter o desejo de muitos" por demissões no governo Dilma Rousseff.
Desde que a presidente Dilma assumiu, cinco ministros já deixaram o governo acusados de suspeitas de corrupção. Lupi afirmou que não teme ser o próximo ministro a deixar o governo.
"Amor, eu vou inverter o desejo de muitos: eu vou mostrar para vocês que é possível a mídia errar, vou mostrar que, com o erro, vocês terão de dar espaço para defender a honra dos acusados", disse a jornalistas após participar de reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
Reportagem da revista "Veja" desta semana afirma que três servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho estavam envolvidos num esquema de cobrança de propinas que revertia recursos para o caixa do PDT, partido de Lupi, que está afastado temporariamente da presidência da sigla por ser ministro.
Durante a fala na comissão, Lupi pediu desculpas publicamente pela declaração e afirmou que ama a presidente Dilma.
"Declaração de amor nunca é demais, todo mundo gosta. Minha mulher está aqui comigo, ela sabe que o amor é pela causa: para mulher só tenho para uma que está aqui", explicou na coletiva, em indicação a sua companheira.
Sobre críticas dos fundadores históricos do PDT de que o partido havia sido tomado por "usurpadores", Lupi foi lacônico: "Pergunte a eles o que eles estão ganhando com isso".

ANDRÉIA SADI

Haddad diz que é vítima de injustiça

Critiquei aqui (e continuo criticando) a frase do ministro Fernando Haddad sobre a invasão da reitoria da USP, na qual fez uma comparação com a cracolândia. Apenas cumpriu-se a lei que, como sabemos, deveria ser igual para todos.
Se não for assim, pelo menos deixem em paz os sem-teto que ocuparam prédios na cidade de São Paulo.
Haddad tentou marcar uma posição eleitoral e acabou, na minha visão, cometendo um equívoco e, na prática, justificando a posição daquela minoria radical que nem sequer respeitou a assembleia dos estudantes.
Abro, porém, espaço para nota da assessoria do ministro sobre essa coluna, apontando-a como "injusta":
"Quando vistoriava as instalações do Complexo Psiquiátrico do Juquiri, o ministro Fernando Haddad declarou que condenava a ocupação de prédios públicos, inclusive reitorias de universidades. 'Não vejo sentido nesse movimento. Não sei o que se ganha com isso', afirmou Haddad, na ocasião.
Mais à frente, na mesma entrevista, foi perguntado a Haddad o que ele achou da ação policial no campus da Universidade de São Paulo. Foi então que o ministro proferiu a frase: 'Não se pode tratar a USP como a Cracolândia, nem a Cracolândia como a USP'.
Veja: ele não defendeu a ocupação de prédios públicos. Entretanto, chamou a atenção para a 'eficiência da polícia militar' no campus, contra três alunos que faziam uso de maconha, e a complacência das autoridades policiais, em contrapartida, que permitem que duas mil pessoas, no centro de São Paulo, consumam droga, a céu aberto, sem que nenhuma iniciativa policial seja tomada."

Gilberto Dimenstein

Só na bala!



Blog Josias de Souza

A ciclofaixa de Moema

A ciclofaixa de Moema é uma ótima iniciativa que pode ser prejudicada pela forma de implantação.
A ciclofaixa funciona em um binário constituído pelas ruas Rouxinol e Pavão, entre a alameda dos Anapurus e a rua Araguari.
As duas avenidas têm mão única de direção. A Rouxinol corre no sentido Santo Amaro Anapurus e a Pavão no sentido inverso. A ciclofaixa delimitada tem formato de um grampo.
É a primeira ciclofaixa permanente em ruas da cidade. Não a confundir com as ciclovias já existentes: a do Rio Pinheiros e a Caminhos Verdes, junto à linha do metrô, na Radial Leste. A ciclofaixa é uma área pintada no leito carroçável sem segregação física. A ciclovia possui segregação que não permite a ocupação por parte dos carros.
Sendo uma ideia pioneira, enfrenta a dificuldade da mudança de hábito. As pessoas não estão acostumadas e os incomodados se manifestam de imediato, enquanto os beneficiados se apropriam do sistema gradualmente.
No início, os problemas repercutem mais do que as vantagens. Exatamente por isso, não se deve adicionar outras novidades que dificultem ainda mais a absorção do novo equipamento.
A CET foi corajosa ao implantar a ciclofaixa. A bicicleta é uma alternativa que a maior parte das grandes cidades está adotando. Aqui há uma resistência grande devido ao desconhecimento dos benefícios de um novo modal que humaniza a cidade.
Gilberto Massarente/Leitor
A CET equivocou-se ao implementar simultaneamente um modelo de zona azul em que as vagas ficam soltas no meio da rua, entre a ciclovia que está à esquerda do leito carroçável e a guia do lado oposto, direito. Os carros estacionados ficam literalmente no meio da rua.
Pior, há quarteirões onde não existem vagas demarcadas e, na sequência, outros que possuem as tais vagas. Os carros circulam paralelamente à ciclofaixa e logo depois têm que desviar da zona azul no quarteirão seguinte, logo depois da faixa de pedestre.
Gilberto Massarente
...e depois, outro motorista que vinha pela rua.
(fo1l)....e depois, outro motorista que vinha pela rua.
Vi carros quase se colidirem e outros aguardando, como se houvesse uma fila. E, em plena segunda-feira, primeiro dia útil de implantação, ninguém da CET dando apoio e orientação. A CET deveria ter feito e se aprofundado mais na explicação sobre a ciclovia para os moradores e comerciantes.
Estive também com pessoas que são totalmente a favor da ciclovia, desde que haja racionalidade e presença da CET no período de adaptação. Porém, sobretudo, a CET deveria ter feito a implantação sem essa novidade de "Zona Azul no meio da rua", que existe em outros países, mas que estão acostumados com ciclovias há anos.
Não se começa algo com tantas novidades juntas.
A ciclovia não tem sequência. Está solta no meio do bairro. É o preço do pioneirismo. O certo seria que as ciclovias saíssem de terminais de metrô e ônibus e levassem a outros pontos relevantes, criando a lógica do deslocamento.
Isso virá com o tempo. Pagamos o preço de começar tarde, como com o metrô, que só rodou na cidade em 1974, enquanto outras metrópoles já o tinham no início do século.
Contudo, sempre é melhor começar. Não se podem tirar conclusões nos primeiros dias. É o cúmulo da precipitação. Nunca se fez. Não haverá adaptação em apenas três dias.
A ciclofaixa é o início de algo maior, que é ter uma infraestrutura cicloviária em toda a cidade. Um sistema com ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Só que a iniciativa não pode correr o risco de ser queimada por conta de uma má implantação.
A CET admite corrigir. O período de experiência é para isso. Vamos torcer para dar certo. A bicicleta é uma solução.

José Luiz Portella

Ongmania!



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