odos os candidatos falaram, na campanha, da importância do emprego, da educação, da inovação e da inclusão. Por isso, vale a pena conhecer uma experiência que junta tudo isso. Mas sem governo. É realizada em São Paulo, onde, num galpão jovens se reúnem para desenvolver negócios que gerem lucro e mudem o mundo (o detalhamento está no www.catracalivre.com.br).
Sem nenhum apoio público, foi criado um espaço chamado "Hub". Lá, jovens, com pouco dinheiro e muitas ideias, alugam espaços e passam a fazer parte de uma comunidade, trocando informações e conhecimentos. Entre outros projetos, eles estão criando um carro ecológico em sistema colaborativo, moedas locais para desenvolver bairros da periferia, uma empresa de entregas que troca a moto por bikes, a plantação de jardins em cima dos prédios.
É apenas um detalhe. Mas aí está minha visão de um Brasil com futuro. Jovens capazes de desenvolver seus talentos e fazer inovações. O que tem pouco estímulo dentro e fora das universidades. Comparados aos Estados Unidos, estamos, sem exagero, na Idade da Pedra.
Mas há demanda. Tanto que experiências como essa começam a se disseminar. Imagine se contar com apoio do poder público (infraestrutura), a iniciativa privada ( participando dos negócios com empréstimos e até doação de recursos) e entidades tipo Sebrae. Senac e Senai que ajudem na formação dos projetos.
Também coloquei no Catraca Livre projetos que apóiam a inovação. O Sebrae, por exemplo, criou um projeto apenas para atender esse tipo de demanda.
Gilberto Dimenstein
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Álcool é mais prejudicial do que a heroína ou o crack, diz estudo
Um estudo britânico que analisou os danos causados aos usuários de drogas e para as pessoas que os cercam concluiu que o álcool é mais prejudicial do que a heroína ou o crack.
O estudo divulgado na revista científica "Lancet" classifica os danos causados por cada substância em uma escala de 16 pontos.
Os pesquisadores concluíram que a heroína e a anfetamina conhecida como "crystal meth" são mais danosas aos usuários, mas quando computados também os danos às pessoas em volta do usuário, no topo das substâncias mais nocivas estão, na ordem, o álcool, a heroína e o crack.
O cigarro e a cocaína são considerados igualmente nocivos também quando se leva em conta as pessoas do círculo social dos usuários, segundo os pesquisadores. Drogas como LSD e ecstasy foram classificadas entre as menos danosas.
APOLÍTICA
Um dos autores do estudo é David Nutt, que ocupou o cargo de principal conselheiro do governo britânico para a questão das drogas.
Após deixar o posto, no ano passado, ele formou o Comitê Científico Independente sobre Drogas, instituição que se propõe a investigar o tema de forma apolítica.
O professor Nutt afirma que "considerados os danos totais, o álcool, o crack e a heroína são claramente mais prejudiciais que todas as outras (substâncias)".
"Nossas conclusões confirmam outros trabalhos que afirmam que a classificação atual das drogas tem pouca relação com as evidências de danos", diz o estudo.
"Elas também consideram como uma estratégia de saúde pública válida e necessária o combate agressivo aos males do álcool."
Folha de São Paulo
O estudo divulgado na revista científica "Lancet" classifica os danos causados por cada substância em uma escala de 16 pontos.
Os pesquisadores concluíram que a heroína e a anfetamina conhecida como "crystal meth" são mais danosas aos usuários, mas quando computados também os danos às pessoas em volta do usuário, no topo das substâncias mais nocivas estão, na ordem, o álcool, a heroína e o crack.
O cigarro e a cocaína são considerados igualmente nocivos também quando se leva em conta as pessoas do círculo social dos usuários, segundo os pesquisadores. Drogas como LSD e ecstasy foram classificadas entre as menos danosas.
APOLÍTICA
Um dos autores do estudo é David Nutt, que ocupou o cargo de principal conselheiro do governo britânico para a questão das drogas.
Após deixar o posto, no ano passado, ele formou o Comitê Científico Independente sobre Drogas, instituição que se propõe a investigar o tema de forma apolítica.
O professor Nutt afirma que "considerados os danos totais, o álcool, o crack e a heroína são claramente mais prejudiciais que todas as outras (substâncias)".
"Nossas conclusões confirmam outros trabalhos que afirmam que a classificação atual das drogas tem pouca relação com as evidências de danos", diz o estudo.
"Elas também consideram como uma estratégia de saúde pública válida e necessária o combate agressivo aos males do álcool."
Folha de São Paulo
Agora é Dilma
Com a exceção do "quebra-molas" que acabou levando a eleição presidencial para o segundo turno, a vitória de Dilma Rousseff foi conduzida com grande perícia pelo regente de todo o processo: o presidente Lula.
É até uma ironia que a imposição da segunda rodada tenha sido motivada, em alguma medida, pelo caso de Erenice Guerra na Casa Civil. Afinal, a escolha da sucessora-problema para o cargo foi obra de Dilma, não de Lula.
Não são poucas as vitórias obtidas pelo presidente ao fim do processo eleitoral e de quase oito anos de governo.
Nem desprezíveis, mas perfeitamente contornáveis, os riscos assumidos pelo governo na economia para que o presidente fizesse de "um poste" o seu sucessor.
Lula elegeu Dilma. PT e coligados, a maioria no Congresso. O presidente deve deixar o cargo como o mais bem avaliado no período pós redemocratização e é respeitado internacionalmente.
Há quase 25 anos o Brasil não crescia como deve crescer em 2010. Em oito anos, foram 15 milhões de empregos formais e, o mais significativo, 32 milhões de pessoas (quase meia França) ascenderam às classes A, B e C.
Isso é passado. Mas Lula também deixa perspectivas.
Na média de seus dois mandatos, o país terá crescido 4% ao ano. Se (e esse é um grande "se") Dilma conseguir puxar essa taxa para 5% ao ano, o Brasil poderá tirar mais 36 milhões da miséria até 2014 (completando a parte da "França" que falta).
Mas Lula e Dilma nunca deram o braço a torcer nem reconheceram as bases sobre as quais construíram as realizações que agora mantêm o PT na Presidência. O Plano Real de FHC foi apenas a primeira delas.
As privatizações e as concessões do governo anterior, que Serra escondeu na campanha, dinamizaram vários setores, como os de telecomunicações, mineração, gás e o do próprio petróleo.
Dilma foi eleita com um viés mais estatizante. No discurso eleitoral, a presidente eleita ficou mais à esquerda do que o próprio Lula.
O presidente é um convertido ao mercado desde 2002. Foi especialmente por meio do capital privado que ele turbinou a economia.
Basta lembrar que, até a crise de 2008/2009, a taxa de investimentos privados (que garantem o crescimento sem inflação) se aproximava de patamares inéditos.
Já o setor público, apesar de todo o discurso dilmista de "Estado forte", investe uma ninharia. Ao contrário, apenas gasta. E mal.
Ontem, após votar, Lula delineou seu papel a partir de 1º de janeiro: "Vou ter muitas tarefas. Mas a última coisa que eu quero é ter tarefas dentro do governo. No dia 1º eu desembarco. E ela [Dilma] continua tocando".
Portanto, agora é Dilma.
Não são injustificadas as apreensões de quem produz, investe e paga impostos com os rumos do gasto público após essa troca de comando.
Fernando Canzian
É até uma ironia que a imposição da segunda rodada tenha sido motivada, em alguma medida, pelo caso de Erenice Guerra na Casa Civil. Afinal, a escolha da sucessora-problema para o cargo foi obra de Dilma, não de Lula.
Não são poucas as vitórias obtidas pelo presidente ao fim do processo eleitoral e de quase oito anos de governo.
Nem desprezíveis, mas perfeitamente contornáveis, os riscos assumidos pelo governo na economia para que o presidente fizesse de "um poste" o seu sucessor.
Lula elegeu Dilma. PT e coligados, a maioria no Congresso. O presidente deve deixar o cargo como o mais bem avaliado no período pós redemocratização e é respeitado internacionalmente.
Há quase 25 anos o Brasil não crescia como deve crescer em 2010. Em oito anos, foram 15 milhões de empregos formais e, o mais significativo, 32 milhões de pessoas (quase meia França) ascenderam às classes A, B e C.
Isso é passado. Mas Lula também deixa perspectivas.
Na média de seus dois mandatos, o país terá crescido 4% ao ano. Se (e esse é um grande "se") Dilma conseguir puxar essa taxa para 5% ao ano, o Brasil poderá tirar mais 36 milhões da miséria até 2014 (completando a parte da "França" que falta).
Mas Lula e Dilma nunca deram o braço a torcer nem reconheceram as bases sobre as quais construíram as realizações que agora mantêm o PT na Presidência. O Plano Real de FHC foi apenas a primeira delas.
As privatizações e as concessões do governo anterior, que Serra escondeu na campanha, dinamizaram vários setores, como os de telecomunicações, mineração, gás e o do próprio petróleo.
Dilma foi eleita com um viés mais estatizante. No discurso eleitoral, a presidente eleita ficou mais à esquerda do que o próprio Lula.
O presidente é um convertido ao mercado desde 2002. Foi especialmente por meio do capital privado que ele turbinou a economia.
Basta lembrar que, até a crise de 2008/2009, a taxa de investimentos privados (que garantem o crescimento sem inflação) se aproximava de patamares inéditos.
Já o setor público, apesar de todo o discurso dilmista de "Estado forte", investe uma ninharia. Ao contrário, apenas gasta. E mal.
Ontem, após votar, Lula delineou seu papel a partir de 1º de janeiro: "Vou ter muitas tarefas. Mas a última coisa que eu quero é ter tarefas dentro do governo. No dia 1º eu desembarco. E ela [Dilma] continua tocando".
Portanto, agora é Dilma.
Não são injustificadas as apreensões de quem produz, investe e paga impostos com os rumos do gasto público após essa troca de comando.
Fernando Canzian
Os heroicos 3%
Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral. Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!
João Pereira Coutinho
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral. Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!
João Pereira Coutinho
Dilma e Tiririca
Dilma Rousseff se elege presidente no momento em que entramos no que considero a era dos educadores: nunca, em nenhuma eleição, se falou tanto da importância de investir no capital humano, ou seja, na formação dos indivíduos. Paradoxalmente, foi a eleição que fez de um palhaço suspeito de ser analfabeto uma de suas estrelas. Mas Tiririca está mais para o passado do que para o futuro.
Mais importante do que nossas riquezas naturais tão alardeadas, as descobertas do petróleo ou as obras de infraestrutura, é o preparo dos indivíduos para gerir suas vidas e inovar. Digo mais uma vez que essa é uma batalha tão ou mais complexa do que a abolição da escravatura.
Será que será uma mulher que vai simbolizar essa era, da qual Tiririca seja apenas um divertido palhaço?
Não sei se Dilma Rousseff vai conseguir se marcar com um dos símbolos dessa nova era. O que é certeza é que esse é um dos maiores desafios de seu governo.
O que também ela sabe, olhando as pesquisas, é que os pobres e a crescente classe média não veem Tiririca como modelo. Muito pelo contrário. Tanto que o ensino superior entrou na pauta dos emergentes.
A agenda do futuro é a Ficha Limpa, uma das mais extraordinárias conquistas do Brasil, símbolo de mais gente antenada.
Gilberto Dimenstein
Mais importante do que nossas riquezas naturais tão alardeadas, as descobertas do petróleo ou as obras de infraestrutura, é o preparo dos indivíduos para gerir suas vidas e inovar. Digo mais uma vez que essa é uma batalha tão ou mais complexa do que a abolição da escravatura.
Será que será uma mulher que vai simbolizar essa era, da qual Tiririca seja apenas um divertido palhaço?
Não sei se Dilma Rousseff vai conseguir se marcar com um dos símbolos dessa nova era. O que é certeza é que esse é um dos maiores desafios de seu governo.
O que também ela sabe, olhando as pesquisas, é que os pobres e a crescente classe média não veem Tiririca como modelo. Muito pelo contrário. Tanto que o ensino superior entrou na pauta dos emergentes.
A agenda do futuro é a Ficha Limpa, uma das mais extraordinárias conquistas do Brasil, símbolo de mais gente antenada.
Gilberto Dimenstein
sábado, 30 de outubro de 2010
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