segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Em defesa dos direitos, salários e empregos: Todos a Brasília!


As centrais sindicais e movimentos sociais vão estar juntos no próximo dia 6 de março (quarta-feira), em Brasília, na Marcha a Brasília por Desenvolvimento, Cidadania e Valorização do Trabalho. Clique aqui para ver a convocação da CUT para a Marcha.
“Ampliaremos a pressão sobre o governo federal e o Congresso Nacional pela retomada dos investimentos públicos, em defesa da produção, dos direitos, dos salários e empregos de qualidade, garantindo contrapartidas sociais e combatendo a especulação e os abusos do sistema financeiro”, declarou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, conclamando as Confederações, Federações e Sindicatos a jogarem pesado junto às bases para ocupar a Esplanada dos Ministérios.
“É hora de fazer frente à desnacionalização e à desindustrialização para potencializar o crescimento do país”, sublinhou o líder cutista, destacando a importância de ampliar a convocação e a mobilização do conjunto das entidades populares, “pois as bandeiras da Marcha dialogam com o conjunto da sociedade”.
AGENDA COMUM -Na pauta comum, ressaltou Vagner, estão a redução da jornada para 40 horas semanais, o fim do fator previdenciário, 10% do PIB para a educação, negociação coletiva no setor público, reforma agrária, 10% do orçamento da União para a saúde, combate à demissão imotivada, valorização das aposentadorias e igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, com salário igual para trabalho igual.
Nesta sexta-feira (8), em São Paulo, o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, participou de uma reunião das centrais em preparação ao dia 6. De acordo com Daniel, “a UNE e o conjunto da juventude brasileira apoiam e participam da agenda de luta dos trabalhadores e centrais sindicais”. “É preciso unir o movimento sindical brasileiro para conquistar a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e 10% do PIB para a educação com recursos dos royalties do pré-sal”, destacou.
REFORMA AGRÁRIA -Para o secretário geral da CUT, Sérgio Nobre, que representou a Central na reunião, “a manifestação será uma forte demonstração da unidade do povo brasileiro na luta por um país mais próspero, soberano e justo”. Bandeiras como a redução da jornada, o  fim do fator previdenciário, que arrocha em até 40% os benefícios dos aposentados e pensionistas, e a reforma agrária, que  “representa justiça no campo e alimento mais barato na cidade”, defendeu Sérgio, tem um alto poder de convocação e mobilização.
“No Brasil, apenas 10% dos fazendeiros possuem áreas acima de 200 hectares, controlando 85% de todo o valor da produção agropecuária, destinada à exportação, sem agregar valor, e encarecendo o preço dos alimentos que chegam à mesa do trabalhador. Defendemos o fortalecimento da agricultura familiar – responsável pela produção de mais de 70% dos alimentos em nosso país – e a ampliação e aceleração dos processos de desapropriação para fins de reforma agrária, atendendo emergencialmente as áreas reivindicadas para assentamento das famílias acampadas, com uma meta, a curto prazo, de 200 mil famílias”, defendem as centrais sindicais. Ao mesmo tempo, reitera a convocatória da Marcha, “reivindicamos maior investimento público na assistência técnica e extensão rural , bem como a implementação de ações de combate ao desemprego e à informalidade no campo, assegurando aos assalariados rurais o efetivo acesso aos seus direitos sociais”.
CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES –O jornal elaborado pelas centrais sindicais alerta que “os trabalhadores portuários e os petroleiros estão mobilizados em defesa do patrimônio nacional, diante das ameaças de privatização e das concessões em curso”. “Tais medidas governamentais permitem que as transnacionais – vitaminadas com financiamentos públicos via BNDES – avancem sobre setores estratégicos da nossa economia, comprometendo o desenvolvimento soberano do país. Para completar, esses atropelos também comprometem a geração de emprego, salários e a garantia de direitos trabalhistas. Por isso, os trabalhadores se insurgiram e iniciaram um processo de mobilização para deflagrar greves nacionais a fim de garantir suas conquistas e impedir a entrega do patrimônio público à iniciativa privada”, asseveram as centrais.
MULHERES NA LUTA -Na véspera do dia 8 de março, trabalhadoras e trabalhadores também vão reforçar a luta pela igualdade: “A eleição de Dilma Rousseff para a presidência da República não reduziu a exploração a que as mulheres são submetidas na sociedade. O centro da luta ainda é a igualdade de gênero, salário igual para trabalho igual e o fim da violência doméstica contra o sexo feminino. Erradicar toda e qualquer forma de discriminação é avançar rumo a uma sociedade justa, livre da pobreza e com igualdade de oportunidades entre homens e mulheres”. 

Escrito por: Leonardo Severo



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pesquisador afirma que estrutura das escolas adoece professores


"O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive muita paciência, mas me esgotei."
O relato é da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem adoecido em suas rotinas.
Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é "insuportável". "Eles revelam, mesmo que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar", afirma.
O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Na dissertação O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores , Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores.
Camargo percebeu que a "epidemia" de doenças ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. "Tentei mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade", diz.
Luciana começou a adoecer em 2007 e está há dois anos afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio. "Tenho um laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar em escola. Eu não sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa não é uma doença visível, sou discriminada", conta. A professora critica a falta de apoio para os docentes nas escolas.
"Me sentia remando contra a maré. Eu gostava do que fazia, era boa profissional, mas não conseguia mudar o que estava errado. A escola ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão lá por obrigação e os pais delegam todas as responsabilidades de educar os filhos à escola. Tudo isso me angustiava muito", diz.
Viver sem escola: é possível?
Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas análises de Michel Foucault sobre as instituições disciplinares e os jogos de poder e resistência, Camargo questiona a existência das escolas como instituição inabalável. A discussão proposta por ele trata de um novo olhar sobre a educação, um conceito chamado abolicionismo escolar.
"Criticamos quase tudo na escola (alunos, professores, conteúdos, gestores, políticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais escolas, mais professores, mais alunos, mais conteúdos e disciplinas. Nenhuma reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias, uma legião de crianças é confinada por algumas (ou muitas) horas em salas de aula sob a supervisão de um professor para que possam ocupar o tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a variação moral dos conteúdos e das estratégias didático-metodológicas de ensino", pondera.
Ele ressalta que essa "não é mais uma agenda política para trazer salvação definitiva" aos problemas escolares. É uma crítica às inúmeras tentativas de reformular a escola, mantendo-a da mesma forma. "A minha questão é outra: será possível não mais tentar resolver os problemas da escola, mas compreender a existência da escola como um grave problema político?", provoca.
Na opinião do pesquisador, "as mazelas da escola são rentáveis e parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam diagnósticos e prognósticos para uma possível cura".
Problemas partilhados
Suzimeri Almeida da Silva, 44 anos, se tornou professora de Ciências e Biologia em 1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu limite. Hoje, conseguiu ser realocada em um laboratório de ciências. "Se eu for obrigada a voltar para uma sala de aula, não vou dar conta. Não tenho mais estrutura psiquiátrica para isso", conta a carioca.
Ela concorda que a estrutura escolar adoece os profissionais. Além das doenças físicas – ela desenvolveu rinite alérgica por causa do giz e inúmeros calos nas cordas vocais –, Suzimeri diz que o ambiente provoca doenças psicológicas. Ela, que cuida de uma depressão, também reclama da falta de apoio das famílias e dos gestores aos professores.
"O professor é culpado de tudo, não é valorizado. Muitas crianças chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Você vê tudo errado, quer ajudar, mas não consegue. Eu pensava: eu não sou psicóloga, não sou assistente social. O que eu estou fazendo aqui?", lamenta. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Presidente da CNTE esclarece os motivos da greve nacional dos professores


Professores da rede pública realizarão uma greve nacional entre os dias 23 e 25 de abril. A paralisação, que foi anunciada antecipadamente pelo Brasil de Fato, ocorre durante a Semana Nacional de Educação. O encontro faz parte do calendário de mobilização da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que agrega 44 entidades de todo o país.
O objetivo é defender a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública e também discutir uma alteração na Medida Provisória (MP) 592, para que os royalties do pré-sal sejam destinados apenas ao setor.
O texto do Plano Nacional da Educação (PNE) diz que serão utilizados 50% dos recursos do pré-sal, incluídos os royalties, diretamente em educação. Hoje, os recursos que vão para a área não chegam a 20%.
No entanto, diante da precariedade no setor, o presidente da CNTE, Roberto Leão, esclarece que o problema da educação no Brasil será resolvido apenas com uma luta empenhada por toda a sociedade. Ele ressalta ainda que o diálogo com os pais e alunos para explicar os motivos da greve deve ser permanente.
"Fazemos reuniões, esclarecemos a real situação da educação pública brasileira, levamos os pais para verificar em que condições seus filhos estão tendo aula, enfim, debatemos que na verdade essas mobilizações têm o objetivo de melhorar a qualidade da educação pública."
Piso
O reajuste do piso salarial do magistério, anunciado pelo Ministério da Educação, no início do ano, foi de 7,97%. Cada professor da rede pública passará então a receber R$ 1.567.00 por uma jornada de 40 horas, o menor índice dos últimos três anos.
A CNTE, entretanto, entende que o artigo 5º da Lei que criou o Piso estabelece que, se o custo-aluno está sendo reajustado em 20,16% - de acordo com o crescimento da receita consolidada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) - esse deveria ser o reajuste.
"Nós dependemos que a política do Fundeb tenha credibilidade e que realmente corrija as extorsões na política educacional brasileira. É necessário que existam mecanismos que garantam efetivamente o custo-aluno", ressalta Leão.
10% do PIB
Frente à pressão de diversos movimentos sociais e educacionais, o Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara no dia 16 de outubro do ano passado.
O PNE prevê a aplicação em até dez anos de 10% do PIB na área da educação. O texto foi encaminhado para votação no Senado. Se aprovado pelos senadores sem alterações, o texto vai para sanção presidencial. Atualmente, União, estados e municípios aplicam juntos cerca de 5% do PIB no setor por ano.
(Brasil de Fato)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Em discurso, Henrique Alves faz promessas incômodas ao Planalto


Candidato do PMDB à presidência da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) usou um discurso corporativista e com ideias populistas entre os parlamentares para buscar os votos dos colegas na eleição que acontece nesta segunda-feira (4).
O peemedebista afirmou que, se eleito, cada veto presidencial será discutido pelo Congresso.
"Assumiremos posições. Faço mea-culpa por todos nós termos nos omitido e deixado 3.000 vetos sem ser apreciados. Vamos corrigir o erro. A partir de agora o veto não pode ser, não vai mais ser, a última palavra da ação legislativa." A fala motivou aplausos entre os deputados.
Ele reclamou da edição de medidas provisórias. "Essa Casa é sufocada pelas medidas provisórias. Vamos tornar essa Casa um palco de debates."
O deputado ainda prometeu criar uma comissão especial para reformular o sistema de pagamento de emendas parlamentares, para os deputados não ficarem dependendo da liberação do Executivo.
Ele ainda saiu em defesa da imagem da Casa, dizendo que o Legislativo é o mais "criticado" por ser o mais transparente e por serem eleitos pelo povo, o que não ocorre com ministros do Supremo e com ministros de Estado.
"Se esta Casa é a mais injustiçada dos poderes, e é, se é a mais criticada dos poderes, e é, não é pelos seus defeitos é por ela se expor, ser transparente, ser verdadeira."
O peemedebista reforçou sua promessa de ampliar a atuação da TV Câmara, para mostrar o trabalho dos parlamentares ao fim de semana em seus redutos eleitorais.
"A TV Câmara tem que ser mais Câmara do que TV. Não quero mais ver aquela imagem do plenário vazio. Aquilo era sempre uma segunda ou sexta-feira. Uma imagem de que o deputado não trabalha. Vou dizer à TV Câmara: 'seja mais Câmara e menos TV", afirmou.
O deputado ainda criticou a imprensa. "Agora de repente, no período eleitoral, aparece isso, aparece aquilo. São labaredas que não chamuscam o alicerce de uma vida inteira que construí com trabalho, com coerência e com lealdade", disse.
Primo do peemedebista, o ministro Garibaldi Alves (Previdência) acompanha a eleição em plenário. "Eu não posso votar, mas vim pedir votos".

MÁRCIO FALCÃO
ANDREZA MATAIS
ERICH DECAT

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Revisão de estudos aponta mitos da obesidade


Um artigo publicado no "New England Journal of Medicine" que elenca mitos e fatos sobre obesidade e emagrecimento está causando controvérsia nos EUA.
David Allison, diretor do centro de pesquisas de nutrição e obesidade da Universidade do Alabama, e colegas apresentam uma lista com sete mitos, seis pressupostos não comprovados e nove fatos sobre a obesidade.
Editoria de Arte/Folhapress
Entre os mitos e conceitos não provados estão as ideias de que aulas de educação física têm efeito no emagrecimento de crianças obesas, de que amamentação evita o problema e que os obesos devem evitar dietas radicais.
Entre os fatos está o poder de remédios emagrecedores, cirurgias bariátricas e de programas que oferecem refeições prontas ou substitutos na perda de peso.
Os especialistas em obesidade aplaudiram esse esforço de desfazer confusões em torno da obesidade. Para eles, essa área vem se tornando um atoleiro.
O pesquisador de obesidade Jeffrey Friedman, da Universidade Rockefeller, disse: "A meu ver, há mais desinformação fazendo-se passar por verdade neste campo que em qualquer outro".
Mas pesquisadores independentes dizem que, apesar de apontarem informações válidas, os autores têm ligações financeiras com empresas de alimentos, bebidas e fabricantes de produtos para emagrecer.
A lista de declaração de conflito de interesses ocupa quase meia página do artigo.
"Isso levanta dúvidas sobre o propósito do artigo e se ele mira a promoção de medicamentos, produtos que substituem refeições e cirurgias bariátricas como a solução", afirmou Marion Nestle, professora da Universidade de Nova York.
"A grande questão na perda de peso é como você muda o ambiente ligado à comida para que as pessoas façam escolhas saudáveis."
MÉTODO
David Allison queria saber o que já está comprovado em relação à obesidade.
Uma ideia tida como verdadeira, por exemplo, é que as pessoas que tomam café da manhã são mais magras.
Editoria de Arte/Folhapress
Mas essa noção é baseada em estudos feitos com pessoas que já tomavam café da manhã. Dois estudos que separaram as pessoas em grupos e avaliaram o impacto de comer ou não de manhã não mostraram o efeito emagrecedor da primeira refeição.
Portanto, indaga Allison, por que os pesquisadores continuam fazendo estudos que se limitam a relacionar magreza e café da manhã?
"Todo esse tempo e esforço são desperdiçados."
Outro problema com as pesquisas sobre obesidade é que elas tendem a assumir como verdadeira a opção que parece ser mais razoável.
Um exemplo disso é a ideia de que as pessoas que seguem programas de emagrecimento se saem melhor quando definem metas conservadoras em vez de tentar perder um percentual grande do peso corporal.
Mas, quando ele examinou os estudos sobre emagrecimento, não achou nenhum vínculo consistente entre o grau de ambição da meta e quanto peso foi perdido, nem por quanto tempo a perda de peso tinha sido mantida.
Para Allison, cabe aos cientistas mudar seus hábitos. "Precisamos fazer estudos rigorosos", afirmou.
"Eu nunca disse que temos que aguardar até termos o conhecimento perfeito", ele concluiu. Mas, nas palavras de John Lennon, "me dê alguma verdade". 

DO "NEW YORK TIMES"
Tradução CLARA ALLAIN 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Balança comercial tem deficit de US$ 4 bi, pior resultado em 20 anos


A balança comercial brasileira apresentou deficit recorde em janeiro, de US$ 4,035 bilhões. Trata-se do pior resultado já registrado num único mês considerando a série histórica iniciada em 1993.
O saldo negativo da balança, que mostra a diferença entre as importações e as exportações brasileiras no período, é três vezes maior que o apurado no mesmo período do ano passado, quando o deficit foi de US$ 1,292 bilhões.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (1) pelo Ministério do Desenvolvimento.
O deficit histórico foi impulsionado pelo aumento significativo das importações que, no período, alcançaram US$ 20 bilhões, alta de 14,6% frente a janeiro de 2012. Por outro lado, as exportações apresentaram queda 1,1% para US$ 15,968.
Matéria da Folha do dia 22 de janeiro mostrou que a balança comercial caminhava para o pior resultado mensal da história. Nos 20 primeiros dias de janeiro, o deficit já atingia US$ 2,7 bilhões.
O FATOR PETROBRAS
Segundo o governo, o principal fator para a alta expressiva das importações no período deve-se ao atraso no registro de compras feitas pela Petrobras no ano passado e que só agora começaram a aparecer nos cálculos da balança.
A demora ocorreu por conta de uma mudança nas regras da Receita Federal, que estipulou um prazo maior para a declaração das operações de importação.
Isso fez com que, apenas em janeiro, houvesse um acréscimo de US$ 1,6 bilhão no volume total de importações do país. O montante refere-se a compras realizadas pela estatal no terceiro trimestre de 2012.
Segundo o ministério, há ainda US$ 2,9 bilhões de "estoque" de operações da Petrobras a serem contabilizadas. Elas aparecerão nos cálculos da balança em fevereiro e março.
Segundo a secretária de comércio exterior, Tatiana Prazeres, por conta disso, é possível que o saldo da balança volte a ficar no vermelho nos próximos meses.
Para ela, o deficit registrado em janeiro é "expressivo" em termos absolutos, mas é preciso comparar seu peso a outros resultados negativos já registrados.
"O comércio internacional do país cresceu muito nos últimos anos. Este deficit é equivalente a um quarto do que exportamos no período. O segundo maior deficit [de dezembro de 1996] representou metade das exportações do país naquele mês", afirmou.
IMPORTAÇÕES
As importações de combustíveis e lubrificantes tiveram alta de 55,7% frente ao janeiro de 2012 na média diária. Em seguida, vieram os bens de capital (14,6%) e os bens intermediários (7,9%). As importações da categoria de bens de consumo foram as únicas que apresentaram retração, de 2,1%.
Em janeiro, foram importados US$ 4 bilhões de reais em combustíveis e lubrificantes, frente a US$ 2,6 bilhões em dezembro e em janeiro do ano passado.
EXPORTAÇÕES
A queda exportações no período foi conseqüência principalmente da redução do volume de vendas de produtos básicos, que caíram 5,9% na média diária. Dentre eles, destacam-se petróleo bruto (- 69,5%), algodão em bruto (-46,7%), motores para veículos (-49,7%) e minério de ferro (-27%).
As vendas de semimanufaturados apresentaram aumento de 6,6% em relação a janeiro de 2012, impulsionados pelo comércio de ferro fundido (65%), açúcar (45%) e alumínio (33%).
BALANÇA EM 2012
No ano passado, o superávit da balança comercial, de US$ 19,4 bilhões, foi o mais baixo desde 2002.
Frente a 2011 a queda registrada foi de 34,8%, pela média diária --quando o superavit registrou recorde, ficando em US$ 29,7 bilhões.
O resultado da balança comercial vinha se mantendo positivo, sempre acima dos US$ 20 bilhões, desde 2002 quando o superávit foi de US$ 13,195 bilhões.
As exportações somaram US$ 242,6 bilhões, queda de 5,3% frente a 2011. Até setembro, o governo trabalhava com uma meta de US$ 264 bilhões. Antevendo que o resultado não seria cumprido, resolveu abandoná-la.
As importações, por sua vez, caíram 1,4% de 2011 para 2012.
Segundo o governo, a queda nas exportações foi consequência da crise mundial, da retração de mercados importantes e a multiplicação de barreiras comercias no mundo.

RENATA AGOSTINI

Com 56 votos, Renan Calheiros é eleito presidente do Senado


Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por três crimes, Renan Calheiros (PMDB-AL) é o novo presidente do Senado. Foi eleito na manhã desta sexta-feira (1º) em votação secreta por seus pares, com 56 votos.
O outro candidato foi o senador Pedro Taques (PDT-MT), que recebeu 18 votos. Dois senadores votaram em branco e outros dois, nulo.
Taques havia recebido apoio público de bancadas de oposição como a do PSDB e a do DEM, e da governista do PSB. Mas as promessas de manutenção de cargos na Mesa Diretora falaram mais alto.
Os crimes que o Ministério Público Federal atribui a Renan levaram ele a renunciar à presidência do Senado, cargo que ocupava desde 2005, em 2007.
Senadores de oposição criticaram a manutenção da candidatura de Renan, mas já consideravam sua eleição uma inevitabilidade.
Como disse Álvaro Dias (PSDB-PR), não havia fatos novos para o "público interno" governo e Senado.
Em entrevista ontem à Folha, Renan disse estar confortável em assumir a presidência do Senado mesmo sob suspeita, por considerar que a ação da procuradoria era motivada politicamente.
A denúncia do procurador-geral, Roberto Gurgel, ocorreu na semana passada, e hoje cedo a revista "Época" divulgou o teor da acusação: falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato.
O senador é acusado de pagar despesas pessoais com dinheiro de Cláudio Gontijo, que trabalha para a empreiteira Mendes Júnior.
Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos, Renan apresentou documentos e afirmou que tinha ganhos com a venda de gado. O senador pagava uma pensão mensal à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
A denúncia também aponta o peculato decorrente do desvio da verba indenizatória do Senado. Renan, diz a procuradoria, desviou recursos da Casa para uma locadora de carros que pertence a um laranja do senador.
SILÊNCIO
Em seu discurso antes da votação, Taques disse que a eleição de Renan acontece em meio ao "silêncio dos covardes". A declaração foi dada ao final de sua fala, quando houve um momento de breve silêncio.
"Eu peço o voto de cada senador. Peço silêncio aos senhores. Ouçam esse silêncio. Esse silêncio é o silêncio do covarde. É o silêncio de quem tem medo. Sintam esse silêncio. Esse é o silêncio de quem aceita, de quem não resiste. Expresso a vossa excelência, senador Renan Calheiros, meus respeitos pessoais", afirmou o senador.
Já Renan, em seu discurso como candidato, deu um recado aos chamados "independentes" ao dizer que a ética é uma "obrigação de todos nós".
"A ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio, não é fim. É obrigação de todos nós, responsabilidade de todos nós e dever desse Senado Federal", afirmou. Em sua fala, Renan evitou comentar a denúncia da procuradoria.

GABRIELA GUERREIRO
ANDREZA MATAIS
ERICH DECAT