quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dilma diz a PT e PMDB que, antes de 2014, o governo tem dois anos de trabalho pela frente


Em jantar com dirigentes e ministros do PT e PMDB, no Palácio da Alvorada, Dilma Rousseff evitou traçar planos para a sucessão presidencial. Disse que, antes de 2014, o governo tem dois anos de “muito trabalho” pela frente. Enalteceu a parceria entre os dois maiores partidos de sua coligação. Declarou que a junção funcionou no governo, no Legislativo e também nas eleições municipais de 2012. Lula também esteve no Alvorada na tarde desta terça (6). Mas preferiu não participar do jantar. Achou que sua presença poderia ser mal compreendida. Teve receio de que dissessem que estava querendo se sobrepor à autoridade da presidente. Conversou com Dilma por cerca de três horas. Analisou com ela a conjuntura pós-eleitoral. Ajudou a alinhavar a retórica que seria desfiada no jantar. E foi embora. Afora a anfitriã, estiveram no repasto do Alvorada 19 pessoas, entre senadores, deputados e ministros (veja lista no rodapé). O blog conversou com três dos comensais de Dilma. Vai abaixo um resumo em dez atos do que se passou:
1Eleições municipais: O encontro começou no salão de estar do Alvorada. Dilma abriu a conversa com uma análise sobre as eleições para prefeitos. Celebrou o fato de as disputas não terem produzido prejuízos para a “boa convivência” das legendas que apoiam o governo no Congresso. Os presidentes do PT, Rui Falcão, e do PMDB, Valdir Raupp, despejaram números sobre o tapete. Dilma considerou que os dois partidos tinham muito a comemorar. Juntos, saíram das urnas com uma sólida base municipal, comentou.
2São Paulo e Chalita: Dilma realçou a “importância” das alianças que o PMDB fez com seu partido. Deu especial ênfase ao apoio do candidato derrotado Gabriel Chalita ao petista Fernando Haddad, prefeito eleito de em São Paulo. Não foi uma adesão qualquer, ela disse. Chalita envolveu-se na campanha, ajudou a construir a vitória do PT, completou. Patrono da candidatura de Chalita, o vice-presidente Michel Temer assentia com movimentos de cabeça. Parte da audiência deixou o Alvorada com a sensação de que Chalita é um ministro esperando para acontecer.
3Belo Horizonte: Dilma declarou que os acertos com o PMDB foram importantes mesmo em praças em que o PT saiu derrotado. Concentrou-se em Belo Horizonte. Para ela, o infortúnio de Patrus Ananias na capital mineira teve gosto de vitória. Por quê? Graças à votação do ex-ministro do Bolsa Família, o PT saiu das urnas maior do que entrou. Sabíamos que seria difícil derrotar Márcio Lacerda (PSB), afirmou a presidente. Mas o enfrentamento tornou-se incontornável. Sem mencionar o nome do tucano Aécio Neves, Dilma insinuou que, ao coabitar a primeira gestão de Lacerda com o PSDB, o PT como que condenou-se à sombra. A aliança com o PMDB produziu, segundo ela, um promissor realinhamento de forças em Belo Horizonte.
4A bajulação de Sarney: o presidente do Senado interveio a certa altura para bajular Dilma. Disse que os partidos deviam o bom desempenho nas urnas à anfitriã. Não quero fazer rasgação de seda, afirmou José Sarney. Em seguida, rasgou: o sucesso eleitoral se deve à sua popularidade, ao reconhecimento do seu governo na sociedade, disse o morubixaba do PMDB. A gente deve isso à boa aceitação da sua administração, acrescentou o senador.
5Reforma política: Dilma afirmou que os partidos precisam aproveitar o bom momento para avançar no Legislativo. Curiosamente, não mencionou os projetos que interessam mais diretamente ao seu governo. Discorreu sobre a reforma política. Abstendo-se de mencionar o mensalão, que o PT chama de “caixa dois”, a presidente foi enfática: passa da hora de reformar a legislação eleitoral. Ela se dispôs a ajudar. Não faz questão de ser protagonista. Fará o que o Congresso achar que lhe cabe fazer. Se quiserem que o Planalto mande um projeto, será enviado. Se avaliarem que o governo não deve se meter, assim será feito. O essencial, repisou Dilma, é avançar. O avanço virá, na opinião dela, se os partidos abandonarem os projetos ambiciosos. Acha que o melhor seria selecionar dois ou três tópicos realmente prioritários. Não desceu aos detalhes.
6Os afagos no vice: na sua intervenção mais efetiva ao longo da conversa, Michel Temer sugeriu a Dilma que promovesse encontros como o da noite passada com os outros partidos do condomínio governista. A sugestão foi prontamente acatada por Dilma. Sem precisar datas nem formatos, a presidente afirmou que convidará ao Alvorada todas as legendas que a apoiam. Sem exceções. Ao longo da conversa, a presidente brindou Temer com referências elogiosas. Enalteceu-o ao referir-se ao “êxito” da participação do PMDB no governo. Alisou-o ao agradecer a mão estendida do PMDB em Belo Horizonte. Afagou-o ao valorizar a rápida adesão do PMDB no segundo turno da disputa municipal de São Paulo.
72014: embora não haja dúvida de que Dilma será candidata à reeleição, o ano de 2014 não foi mencionado na conversa senão de forma lateral. Em timbre de brincadeira, o ministro petista Aloizio Mercadante (Educação) sugeriu que PT e PMDB esboçassem desde logo o plano sucessório, definindo as alianças nos Estados. O senador Valdir Raupp, presidente do PMDB, deu asas ao chiste: nós ficamos com 23 Estados e deixamos uns quatro para o PT, disse, entre risos. Espremendo-se as intervenções feitas sobre o tema, chegou-se à conclusão de que não convém nem colocar a carroça de 2014 adiante dos bois nem ignorar as evidências de que o jogo começou. Falando a sério, Dilma afirmou que, antes da reeleição, vem o trabalho. Muito trabalho, disse ela, referindo-se aos dois anos de gestão que lhe restam. Soou otimista. Disse que são alvissareiros os indicadores de 2013. Não fez referência explícita à reedição da chapa Dilma-Temer. A manutenção ficou subentendida nas menções benfazejas que ao PMDB e ao vice. O nome de Eduardo Campos, o neopresidenciável do quase ex-governista PSB, não foi citado uma mísera vez no Alvorada.
8Câmara e Senado: a eleição para as presidências da Câmara e do Senado tampouco foi um tema proeminente na conversa. Dilma não disse nada do tipo apoio fulano ou endosso beltrano. Foi como se desse de barato que os próximos presidentes do Congresso serão os líderes do PMDB: Renan Calheiros no Senado e Henrique Eduardo Alves na Câmara. Dilma já torceu o nariz para Renan. Mas o senador estava no Alvorada. E o simples convite funcionou como sinalização de que os óbices desapareceram. Renan não disse palavra. Sobre a Câmara, mencionou-se o acordo escrito que prevê o apoio do PT ao indicado do PMDB. Acordo é coisa para ser cumprida, disse Dilma. Rui Falcão, o presidente do PT, ecoou-a. E o deputado Jilmar Tatto, líder do petismo na Câmara, declarou que , independentemente de acordos, Henrique Alves merece ser alçado à cadeira hoje ocupada por Marco Maia, também presente.
9Henrique Alves: o líder do PMDB teve de deixar o Alvorada antes da sobremesa. Ele agendara um encontro com a bancada do PR. Estava atrasado. Pediu desculpas à anfitriã. Preciso cuidar da minha eleição, afirmou. Nesse instante, Dilma como que explicitou seu apoio ao deputado. Vá mesmo, ela estimulou. Aqui tem poucos votos. E todos já são seus. Antes, Temer fizera um comentário jocoso: o Henrique trabalha tanto que vai chegar à eleição como candidato único. Não vai ter graça. O ministro peemedebista Mendes Ribeiro (Agricultura) devolveu a piada: quando você concorreu como candidato único teve graça, não é mesmo? Dilma gargalhou.
10Bom homor: a Dilma que se exibiu ao PT e ao PMDB na noite do Alvorada é muito diferente da Dilma com que os aliados se habituaram a lidar. Durante todo o encontro, que terminou pouco antes da meia-noite, a presidente destilou um humor raro. Nas poucas vezes em que tratou de projetos que correm no Congresso, Dilma evitou o habitual estilo de mandona. Soou cândida ao tratar da medida provisória que prevê a redução do preço das contas de luz. Manteve a calma ao ser informada de que a Câmara acabara de lhe impor uma derrota no projeto da repartição dos royalties do petróleo. Ela defendera que 100% dos royalties fossem destinados à educação. Os deputados deram de ombros. Não foi possível, disse Henrique Alves, que, em plenário, encaminhara a votação contra a proposta do governo. Dilma deu a entender que sancionará o texto aprovado. Vamos ver o que vem, afirmou, reservando-se o direito de vetar os trechos que julgar mais impróprios. Uma intervenção de Valdir Raupp terminou de comprovar a rendição de Dilma à cordialidade. Em dado momento, o presidente do PMDB insinuou que alguns diretórios estaduais reclamam por mais espaço no governo. Dilma farejou na observação um pedido de ministérios. Noutros tempos, iria à jugular do pidão. No novo formato, atalhou Raupp com um sorriso: Ôpa! Vamos deixar que isso venha como consequência, não como reivindicação, disse, inusualmente lhana. Foram à mesa do Alvorada duas opções de prato: carne e peixe. À mesa, a conversa fluiu amena. Quando Henrique Alves informou que teria de se ausentar para cabalar os votos do PR, Dilma foi, de novo, calculadamente gentil: Antes, vamos fazer um brinde, ela convidou. Quando a gente não tem afinidade, faz discurso. Quando somos parceiros, a gente faz um brinde, acrescentou. As taças foram erguidas pelo “passado e pelo futuro” do relacionamento entre os dois sócios majoritários da aliança. Dilma vê “muito trabalho” pela frente. Mas não parece enxergar nada além de 2014 no fim do seu túnel particular.  Em tempo: Pelo PT, estiveram no Alvorada: Rui Falcão, presidente da legenda; Marco Maia, presidente da Câmara; os líderes Walter Pinheiro, Arlindo Chinaglia, Jilmar Tatto e José Pimentel; e os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência); e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Pelo PMDB, foram à mesa: o vice Michel Temer; José Sarney, presidente do Senado; Valdir Raupp, presidente do partido; os líderes Henrique Alves, Renan Calheiros e Eduardo Braga; e os ministros Garibaldi Alves (Previdência), Mendes Ribeiro (Agricultura), Moreira Franco (Assuntos Estratégicos) e Gastão Vieira (Turismo). 
Josias de Souza 

Direitos não se negociam, se ampliam


Diante da campanha de setores da mídia e do movimento sindical que, sob a alegação de um hipotético aumento da “competitividade da economia”, se batem pela “flexibilização de direitos”, reiteramos que direitos não se negociam, se ampliam. Este é o nosso compromisso coletivo, enquanto trabalhadores e trabalhadoras em educação e militantes da CUT.
Em defesa da memória histórica, vale lembrar que foi a nossa Central quem comandou a resistência aos ferozes ataques à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) - movidos pelo desgoverno Fernando Henrique Cardoso. Foi a Central Única dos Trabalhadores quem, desde aqueles sombrios tempos, tem estado à frente das maiores mobilizações contra tal disparate. Desnecessário dizer aonde foram parar as economias da Grécia, Espanha e Portugal – bem como os empregos, os salários e os direitos dos trabalhadores – quando seus governos se dobraram ao receituário do capital.
Sempre defendemos – e continuaremos defendendo - a necessidade de acordos para garantir avanços, nunca para retroceder.
Nossa compreensão é a de que a flexibilização de leis que nos garantem um patamar mínimo de direitos, resultado de décadas de greves e duros enfrentamentos, representaria um claro desserviço à classe trabalhadora. Tal avaliação é tanto mais precisa numa conjuntura em que a crise nos países capitalistas centrais, particularmente nos europeus, se traduz em graves ataques à organização sindical e à consequente perda de direitos.
Reafirmamos que o momento exige o fortalecimento da nossa unidade e mobilização para combater a precarização, garantir e ampliar conquistas.
Entre outras reivindicações, precisamos somar forças para defender o respeito ao direito de greve e à data-base do funcionalismo, elementos fundamentais para a melhoria das condições de vida e trabalho, bem como ampliar a pressão pela regulamentação da Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que assegura o direito à negociação coletiva entre trabalhadores públicos e os governos das três esferas - municipal, estadual e federal.
Temos a convicção de que a implementação de tais iniciativas, fomentando o diálogo e a negociação, representará um importante passo não só para o fortalecimento da democracia, como da própria economia nacional. 

Inflação oficial acelera em outubro e sobe para 5,45% em 12 meses


O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial da inflação, subiu 0,59% em outubro, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (7).
Em setembro, a taxa havia subido 0,57%, 0,16 pontos percentuais acima da inflação de 0,41% de agosto.
De janeiro a outubro, a inflação acumula alta de 4,38%. A meta do governo para a inflação este ano é de 4,5%, com banda de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Com esse resultado, o IPCA dos últimos 12 meses ficou em 5,45%, ante 5,28% no acumulado de setembro. O número deste mês está mais próximo da projeção dos analistas para o fechamento deste ano. O levantamento do Banco Central com profissionais do mercado, o boletim Focus, desta semana, indica um IPCA de 5,44% para 2012.
Os preços dos alimentos subiram 1,36%, mantendo o grupo na liderança da alta inflacionária. O maior impacto foi causado pelo arroz, que ficou 9,88% mais caro, contribuindo com 0,06 ponto percentual para o índice, seguido pela carne, em alta de 2,04% e com peso de 0,05 ponto percentual na inflação. Em setembro, o arroz já havia subido 8,21% e a carne 2,27%.
O terceiro maior impacto foi a refeição fora de casa, em alta de 0,70% e com impacto de 0,03 pontos percentuais no índice.
GASOLINA
Seis dos nove grupos que compõem o IPCA tiveram altas maiores em outubro do que em setembro, segundo o IBGE. O grupo Transportes, cujos preços em setembro caíram 0,08%, subiram 0,24% em outubro, por conta do ajuste da gasolina da ordem de 0,75%, depois de ter caído 0,13% no mês anterior.
O segmento vestuário passou de 0,89% em setembro para 1,09% em outubro e os artigos de residência pularam de 0,18% para 0,37% de um mês para outro.
Já a inflação do grupo Habitação caiu de 0,71% em setembro para 0,38% em outubro, com a queda de todos os índices que compõem o segmento: taxa de água e esgoto (de 0,92% em setembro para 0,63% em outubro); aluguel residencial (de 0,61% para 0,51%); gás de botijão (de 1,27% para 0,49%); condomínio (de 1,19% para 0,29%) e energia elétrica residencial (de 0,83% para -0,24%).  

Folha de São Paulo


domingo, 4 de novembro de 2012

CNTE, Undime e Comissão de Educação e Cultura chegam a consenso sobre reajuste do piso


Em reunião realizada na terça-feira (30) na Câmara dos Deputados, a CNTE, representada pelo vice-presidente, Milton Canuto e pela secretária geral, Marta Vanelli, chegou num consenso com a Comissão de Educação e Cultura sobre a proposta de reajuste do piso salarial que prevê a reposição da inflação pelo INPC e mais 50% equivalente ao crescimento das receitas do Fundeb, anualmente.
Participaram da reunião a Undime, que é responsável pela elaboração da proposta junto com a Campanha Nacional Pelo Direito à Educação e a CNTE, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), a deputada Professora Dorinha (DEM-TO), o deputado Newton Lima (PT-SP) e o deputado Jorginho Mello (PSDB-SC).
Para Milton Canuto, o consenso apresentado na reunião representa um avanço importante para a proposta. "Estamos no limiar do fechamento do ano e é preciso ter uma definição clara sobre isso. O consenso é fundamental pra dar o balizamento definitivo e a tranquilidade para os profissionais da educação terem o reajuste garantido para o próximo ano", afirmou.
Nesta quarta-feira (31) a proposta foi apresentada para o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e deverá receber os ajustes finais até o início da semana que vem para a formalização do envio para o governo federal e a apreciação dos governadores. Para o presidente da CNTE, Roberto Leão, a entidade sai esperançosa de que o Piso se torne realidade para todo o país em 2013.
Na reunião foi definido que a proposta deve ser encaminhada como Medida Provisória, que tem validade imediata. Ao entrar em vigor, esta Medida Provisória automaticamente tirará a eficácia da ADIN 4848 dos governadores por se tratar de uma nova legislação trabalhada em consenso e não questionada no Supremo Tribunal Federal.
Para a deputada Fátima Bezerra, coordenadora do grupo de trabalho parlamentar, a proposta é sensata e dialoga com as metas 17 e 18 do PNE que preveem a valorização do magistério. Segundo a deputada, o grupo dialogou com as principais entidades da educação. "Gostaria de agradecer as entidades pela responsabilidade política que tiveram. Não tenho nenhuma dúvida de que a proposta garante o compromisso que tínhamos assumido, de não abrir mão de assegurar ganho real para o magistério."
O projeto é adequado à realidade orçamentária dos municípios Brasil afora e simboliza a melhor possibilidade de ganho real diante das variações dos índices de acordo com momentos de instabilidade, como a crise financeira atual.

CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Sobre crime organizado e Estado esculhambado


Responda rápido: o que veio primeiro, o crime organizado ou o Estado esculhambado? Tão paradoxal quanto outra velha dúvida –o ovo ou a galinha?— o dilema foi ressuscitado graças ao novo surto de violência que apavora São Paulo. O aumento da percepção de insegurança veio acompanhado de um bate-boca de duas autoridades graúdas. De um lado, José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça do governo petista de Dilma Rousseff. Do outro, Antonio Ferreira Pinto, o secretário de Segurança da administração tucana de Geraldo Alckmin. Brasília ofereceu ajuda, disse Cardozo. São Paulo solicitou auxílio e não obteve, rebateu Ferreira Pinto. A oferta não foi feita uma, mas várias vezes, voltou à carga o ministro. Eles não entendem nada de facção criminosa, contraditou o secretário. Ao final de uma semana em que a escalada verbal dos doutores foi levada às fronteiras do paroxismo, Dilma e Alckmin resolveram intervir. Num par de telefonemas, acertaram a constituição de um grupo de trabalho. Nos próximos dias, Cardozo e sua equipe se reunirão com Ferreira Pinto e sua turma. Farão por pressão algo que o óbvio recomendava que fizessem por opção: montarão –ou tentarão montar— um plano de ação conjunta. Repete-se agora um flagelo que dera as caras em 2006. O inimigo é o mesmo: o temível PCC, Primeiro Comando da Capital. A troca de farpas entre São Paulo e Brasília também é semelhante. A diferença, por ora, está na quantidade de cadáveres e na dimensão do espetáculo. Hoje, os mortos são contados em 111 –91 policiais e pelo menos 20 criminosos (isso sem incluir os números desta madrugada). Há seis anos, abespinhada com a transferência de sete centenas de detentos para o presídio de Presidente Venceslau, a bandidagem do PCC virara de ponta-cabeça a maior e mais rica cidade do país. Foram 100 horas de terror. Noves fora uma rebelião simultânea em 73 presídios paulistas, realizaram-se 293 atentados –de ataques a prédios públicos à queima de ônibus. Produziram-se 152 cadáveres, entre policiais, criminosos e cidadãos comuns. Nessa época, Alckmin e Lula disputavam a Presidência da República. Contra um pano de fundo em que o sangue se misturava à partidarização, tucanos e petistas desperdiçaram tempo acusando-se mutuamente de responsabilidade pelo descalabro. O bom senso só foi recobrado depois que o PCC decretou um cessar-fogo e as urnas reelegeram Lula. Estabeleceu-se, então uma parceria. Abriu-se uma investigação sigilosa para mapear as finanças do PCC. Conduziu-a um grupo integrado por representantes do Ministério da Justiça, da Secretaria de Segurança de São Paulo e do Ministério Público estadual. Quebraram-se os sigilos de quase 400 contas bancárias abastecidas pelo PCC. Em cinco meses de trabalho, verificou-se que a maioria dessas contas tinha como titulares parentes dos bandidos, sobretudo mulheres. Farejou-se uma movimentação de R$ 27,6 milhões no período compreendido entre julho de 2005 e setembro de 2006. Armara-se nessa ocasião uma estratégia para sufocar a facção criminosa por meio de uma asfixia financeira. Parecia fazer sentido. Porém, os desencontros dos últimos dias borrifaram no ar uma dúvida: o que diabo foi feito daquela união de esforços? Nas pegadas da troca de telefonemas entre Dilma e Alckmin, informou-se que uma das ideias que vão à mesa nesta semana é a de varejar a contabilidade do PCC. Coisa a ser feita pela “inteligência” da PF e da PM, com o auxílio da Receita Federal e do Coaf. Ora, mas isso já não estava encaminhado? Que resultados produziram aquela investigação iniciada há seis anos? A julgar pela nova erupção de violência e pela reiteração do diz-que-diz estéril, a única coisa que parece ter avançado é a pujança do PCC, que já abriu filiais do seu comércio de drogas em pelo menos 16 Estados. Retorne-se, por incontornável, ao dilema do primeiro parágrafo: o que veio primeiro, o crime organizado ou o Estado esculhambado? A lógica demonstra: foi o Estado quem botou esse ovo. É no rastro da esculhambação estatal que o crime se organiza e cresce. Até quando? 
Josias de Souza

Panorama Mundo


A semana foi marcada pelo furacão Sandy que atingiu a costa leste dos Estados Unidos e fez com que a bolsa nova-iorquina fechasse na segunda e na terça-feira. Quando abriu, o mercado norte-americano se moveu lateralmente e fecharam a semana com pequena queda próxima de zero.
Dados interessantes vieram, no entanto, da Europa, onde o desemprego aumentou em 0,1 p.p para 11,6% e o IPC acumulou 2,5% em 12 meses até outubro (acima da meta de abaixo de 2%). A Espanha também divulgou o seu déficit fiscal acumulado no ano, 4,4% do PIB, em linha com sua meta de 6,3% do PIB para 2012. O que fez, no geral, que as bolsas europeias fechassem em alta na semana.
Em alta, também fechou a bolsa japonesa. O Banco Central Japonês anunciou na terça-feira que ampliaria suas políticas monetárias não convencionais de compra de ativos financeiros, com objetivo de aumentar a oferta de moeda e estimular a economia, o famoso quantitative easing.
Panorama Brasil
No Brasil, o Banco Central divulgou um relatório sobre o resultado fiscal brasileiro. O superávit primário ficou em 2,33% do PIB, menor que o divulgado no mesmo mês do ano passado de 3,43% do PIB.
No mercado de ações, a bolsa operou com baixa liquidez enquanto Wall Street se mantinha fechado. No geral, o Ibovespa caiu na segunda e na quarta-feira, por conta de pouca liquidez e pela baixa produção de petróleo da Petrobrás, e subiu na terça e na quinta-feira, impulsionada pelo QE japonês e por indicadores positivos no setor bancário.  O resultado acumulado da semana foi uma alta de 1,93%.
O dólar se manteve estável, com leve valorização, saindo de R$2,0267 para venda na sexta-feira, dia 26, para R$2,0315 para venda no fechamento dessa quinta-feira.
Com o discurso do diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, indicando o foco do Bacen sobre a inflação, as expectativas sobre a mesma para 2013 caíram, mas continuaram subindo para 2012. Refletindo essas perspectivas, os juros futuros se mantiveram em queda.
Expectativas da Semana
A expectativa da CJE é que próxima semana o mercado acionário encontre-se com volatilidade acima da média, com várias altas e baixas. Isso deve ocorrer por conta da grande quantidade de eventos internacionais: divulgação de dados da produção industrial chinesa; transição de poder na China, com a saída do líder Bo Xilai; eleições americanas, o que mais deve afetar o mercado internacional; e a possibilidade de queda do rating argentino.
O câmbio deve-se manter próximo a R$2,03 com uma tendência maior de valorização do dólar já que os investidores internacionais devem procurar proteção. Agitado pode ser o mercado de títulos indexados à inflação. Na próxima semana, serão divulgados o IPC-Fipe, o IGP-DI, o INPC e o IPCA e o IGP-DI. A CJE espera que esses índices venham um pouco acima da expectativa do mercado, ocasionando alta nas previsões de inflação de 2012, mas sem afetar a previsão de 2013. 

Samy Dana

Segunda prova do Enem acontece hoje com redação e matemática


O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) termina hoje com as provas de linguagens e matemática com 90 questões e mais a redação.
Na prova objetiva, o participante deve responder às questões de língua estrangeira conforme a opção escolhida na inscrição inglês ou espanhol. Não é permitido trocar a língua escolhida na hora da prova.
Na redação, os estudantes devem ficar atentos às exigências do exame. O texto deve ser dissertativo e ter entre sete e 30 linhas.
Para não zerar nesse quesito, o aluno não deve fugir ao tema proposto. Também terá nota zero o estudante que entregar a folha de redação em branco ou desenhos no lugar da dissertação.
Na edição deste ano, a correção da redação será diferente. A prova agora será corrigida por dois avaliadores independentes. Se a nota final dada por eles tiver uma diferença de até 200 pontos, o resultado será a média aritmética entre elas.
Se a discrepância entre as notas for de mais de 200 pontos, a redação seguirá para um terceiro corretor no exame passado, essa diferença era de, no mínimo, 300 pontos. Caso a diferença continue a ser maior que 200 pontos, a prova passará por uma banca de três professores.
Outra novidade é que, pela primeira vez, os alunos terão acesso às redações corrigidas.
Os candidatos devem chegar às 12h ao local da prova, pois os portões fecham às 13h (horário de Brasília).
O Enem é a principal porta de acesso às universidades federais do país. Segundo levantamento feito pela Folha, 90,9% das vagas oferecidas pelas federais no fim do ano poderão ser disputadas com auxílio do Enem.
Na edição deste ano, o exame teve 5,79 milhões de inscritos número quase 37 vezes maior do que o da primeira edição, em 1998, quando foram 157,2 mil.

Folha de São Paulo