quinta-feira, 5 de abril de 2012

Esquema de Cachoeira tinha interceptação ilegal de e-mail


Relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal afirmam que o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, contratou serviços de interceptação ilegal de e-mails, informa reportagem de Fernando Mello, Filipe Coutinho e Leandro Colon, publicada na Folha desta quinta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Segundo a investigação, uma empresa de um agente aposentado da Polícia Federal, Joaquim Gomes Thomé Neto, entregava relatórios com e-mails interceptados.
Essa empresa foi um dos alvos de busca e apreensão durante a Operação Monte Carlo, deflagrada pela PF no mês passado e que aponta Cachoeira como líder de um grupo que explorava jogo ilegal e pagava propinas a agentes públicos.
Foi nessa operação que a PF flagrou conversas de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (GO). Conhecido por seu discurso de defesa da ética, Demóstenes deixou o seu partido, o DEM, e está sob o risco de cassação.

Fernando Mello, Filipe Coutinho e Leandro Colon

Melô do Demóstenes!



Blog do Josias

O otimismo brasileiro

Brasileiro é otimista. Somos assim.
E a maior parte dos políticos brasileiros não sabe lidar com isso. Recentemente publicou-se pesquisa da FGV sobre Felicidade Futura a partir de dados do Gallup World Poll, com duzentas mil pessoas.
Não é pouco.
Em 2011, comparou-se a expectativa de "satisfação futura" em 156 países do mundo. Queriam saber como a pessoa se veria em 2015, em termos de satisfação, de felicidade.
De 0 a 10, o brasileiro atingiu 8,6 de média. À frente da Dinamarca, país com quase todos os problemas resolvidos. Sua população, hoje, é a que sente mais feliz. Para 2015, os dinamarqueses são menos otimistas que os brasileiros.
China e Índia, potências emergentes, obtiveram, respectivamente, a 111ª e 119ª colocações. A China com média 6,2 e a Índia com 6,1.
Aproximam-se as eleições. E o que se vê são os candidatos mergulharem-se em discurso catastrófico. "Está tudo errado". Nas eleições anteriores também foi assim. É uma catarse catastrófica que vai demolindo tudo. Associando-se a isso, parte da mídia cria um quadro desastroso e quase sem saída.
"Não há como melhorar", é o que se conclui.
Há quem faça isso até com boa intenção. Ao se comover com as dificuldades e agruras que os mais vulneráveis e carentes sofrem. E, de fato, há bastante coisa que pode mudar e melhorar a vida das pessoas. Porém, antes de cair nesse vale de lágrimas, é preciso conhecer o que a população, de fato, pensa. Ela sabe dos problemas, mas enxerga alternativas.
Marcelo Néri, conhecido economista, comenta bem a questão: "Gestores políticos e pesquisadores têm uma visão própria sobre a população. É preciso ouvir as pessoas, saber o que elas próprias pensam".
No país da pesquisa e dos marqueteiros, não se consegue captar a verdadeira alma do brasileiro. Ele tem consciência de seus problemas, mas acredita em mudança. Detesta viver envolvido pelo que se chama de ciência da depressão (dismal science). Não quer mergulhar no mundo da desilusão e da falta de opção.
É o que predomina em nossa cidade. Diante dos problemas reais, desprezam-se os benefícios, as virtudes. Vira moda falar mal. "Pega mal" falar bem. "Pega bem" falar mal.
Provocado a responder dessa forma, porque a pergunta induz a reclamação, o paulistano reclama. Com razões de sobra. Contudo, não quer dizer que ele deixe de acalentar esperanças.
Gestores públicos gostam de cair nessa armadilha. Muitos, além de optarem pelo discurso da "ciência da depressão, da tristeza", o culto ao negativo, não oferecem propostas reais e bem-fundamentadas de mudança. Propostas com conteúdo, viabilidade econômica e projeto de operacionalização.
Reclamar não resolve. Mostrar defeitos, reconhecer acertos e ter propostas fundamentadas sim. As pessoas querem encontrar a saída. Há um campo fértil para o otimismo. Só não pode ser preenchido pelo blefe nem pela demagogia.
Além de cordial, emotivo, o brasileiro é otimista. Falta quem saiba dar concretude a essa utopia.
Quem são os candidatos?

José Luiz Portella Pereira

IPCA desacelera em março e fica em 0,21%, diz IBGE

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou inflação de 0,21% em março, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (5). A taxa é inferior à verificada em fevereiro passado (0,45%), completando o sexto mês de queda do indicador.
Em março de 2011, o índice havia sido de 0,79%, valor 0,51 ponto percentual maior que o verificado no terceiro mês deste ano.
No acumulado do ano, o índice oficial de inflação do país atingiu 1,22%, metade do verificado no primeiro trimestre do ano passado, quando a taxa foi de 2,44%. No acumulado em 12 meses, a taxa atingiu 5,24%, abaixo do teto da meta do governo de 6,5% para este ano.
O IPCA de março é o menor desde julho de 2011, quando ficou em 0,16%. No acumulado de 12 meses, o índice registrou sua variação mais baixa desde de outubro de 2010, quando foi de 5,20%. A taxa para o primeiro trimestre é também a menor para o período desde 2000 (0,97%).
O índice oficial de inflação desacelerou de fevereiro para março em razão da queda no grupo de educação, que registrou variação de 0,54% em março, contra avanço de 5,62% um mês antes.
A educação caiu por conta da questão sazonal de início de ano. As taxas de matrícula, reajustadas ano a ano, contribuem significativamente para o aumento da inflação no grupo. Ao final de fevereiro, essas taxas deixam de ser cobradas.
"A redução do IPCA se deve principalmente ao menor impacto da educação. Alguns serviços importantes tiveram variações menores, como habitação e despesas pessoais", afirmou a gerente de Coordenação dos Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
À exceção dos grupos alimentação e transportes, que subiram na comparação mensal, a maior parte dos demais grupos apurados pelo IBGE registrou queda e parte, deflação. Os grupos com deflação foram comunicação (-0,36%), artigos de residência (-0,40) e vestuário (-0,61%).
Comunicação teve impacto da queda das tarifas telefônicas nas ligações de telefones fixos para móveis. Artigos de residência caíram por conta do gasto menor com eletrodomésticos, que tiveram seus preços baixados por conta da redução do IPI para a linha branca, promovida pelo governo.
Já vestuário, os preços de roupas foram impactados pelo aumento da importação de produtos chineses, que pressionam o valor dos produtos nacionais.
Sem apresentar deflação, mas com quedas consideradas importantes pelo IBGE, os grupos habitação e despesas pessoas caíram por conta de redução de preços de aluguéis e com empregadas domésticas, respectivamente.
Os aluguéis saíram de uma variação de 1,19% em fevereiro e atingiram 0,45% em março. O custo com empregadas domésticas saiu de uma variação de 1,78% em fevereiro para 1,38% em março.

ALTAS

O grupo alimentação, que vinha apresentando queda desde de dezembro, subiu de 0,19% em fevereiro para 0,25% em março. Eulina explicou que a alta é pontual e ocorreu mais por conta das festas de Páscoa, quando as pessoas consomem mais peixes, frutas e ovos.
Transportes foi o segundo grupo que apresentou alta, saindo de deflação de 0,33% para inflação de 0,16%. O motivo para isso, explicou Eulina, foi que o etanol tem apresentado leve aumento de preço, por conta da entressafra, quando se tem uma menor oferta do produto.
O álcool, por sua vez, pressiona o preço da gasolina. Eulina afirmou que a greve de caminhoneiros em São Paulo, no início do mês, não teve impacto na inflação dos transportes. Os preços das passagens aéreas, que apresentaram queda em fevereiro, voltaram a se recuperar.

LUCAS VETTORAZZO

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Frente se reunirá com Marco Maia para analisar caso Cachoeira


A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção vai se reunir amanhã com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para analisar as acusações de envolvimento de deputados federais com negócios ilícitos e tráfico de influência pelo empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira. A informação é da assessoria do líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ).
Alencar e o presidente nacional do partido, deputado Ivan Valente (SP), vão exigir que a Corregedoria da Câmara convoque imediatamente os deputados citados em investigações da PF para dar explicações. Depois de reunir mais informações, os dois deputados estudarão a possibilidade de entrar com representações no Conselho de Ética contra os parlamentares citados.
A Frente, coordenada por Francisco Praciano (PT-AM), quer que o presidente da Casa solicite à Procuradoria-Geral da República a relação completa dos parlamentares alvo de denúncias e os indícios de ilegalidades que teriam sido praticadas por eles.

DENÚNCIAS

Escutas telefônicas da Polícia Federal revelaram que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) atuava no Congresso em favor do empresário Carlos Cachoeira, que está preso sob acusação de exploração de jogos ilegais.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira a abertura de inquérito para investigar Demóstenes. Ele entende que existem indícios de uma ligação criminosa entre o parlamentar e o contraventor, Carlinhos Cachoeira.
Ontem, reportagem da Folha informou que Cachoeira usou servidores federais para facilitar a entrada de contrabando no aeroporto de Brasília. Os diálogos mostram que um auxiliar de Cachoeira negociou com um funcionário da Infraero a liberação de um grupo na alfândega, acertando o número de malas e a cor da roupa que deveriam estar vestidos.

Folha de São Paulo

Alta rotatividade!



Blog do Josias

Zona do euro marca novo recorde de desemprego em fevereiro

A taxa de desemprego da zona do euro atingiu 10,8% da população ativa em fevereiro, ante 10,7% em janeiro, marcando um novo recorde em 15 anos, apontou nesta segunda-feira a agência europeia de estatísticas Eurostat.
No total, 17,13 milhões de pessoas estavam inscritas em fevereiro nas listas de desemprego do bloco europeu (formado por 17 dos 27 países da União Europeia), 162.000 a mais do que em janeiro e 1,48 milhão a mais do que em fevereiro de 2011, detalhou a Eurostat.
A média das estimativas entre os analistas consultados pela agência Dow Jones era de uma estabilização em 10,7%.
Trata-se do décimo mês consecutivo em que a zona do euro tem um índice de desocupação superior a 10% de sua população ativa.
O nível de desemprego na Espanha ainda era o pior entre os países do bloco (23,6%), seguido pela Grécia (21%), embora os dados dessa nação remontem a dezembro.
Logo atrás vem Portugal (15%) e Irlanda (14,7%).
Na Itália, o desemprego afetava 9,3% da população ativa em fevereiro, também um novo recorde para esse país.
Como termo de comparação, a taxa de desemprego brasileira para fevereiro (a mais atualizada) foi de 5,7% segundo o IBGE a menor para esse mês desde o início da série (março de 2002).

FRANCE PRESSE