terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A maconha e a coragem de Sérgio Cabral

Legalizar a maconha é vista como um perigo para o brasileiro, segundo todas as pesquisas de opinião. Essa posição é geralmente confundida como estímulo ao uso. Daí a coragem e a lucidez do governador do Rio, Sérgio Cabral, que está defendendo, dentro de um acordo internacional, a legalização da maconha. Ele acha (e com razão) que essa medida não é ideal, mas traria menos danos O acordo dele é fundamentado em estudos científicos: a maconha causa menos problemas do que álcool e tabaco. E muito menos ainda do que as demais drogas.
Além disso, se a produção da maconha fosse legalizada, seria possível tentar zelar pela qualidade do produto. Há cientistas que defendem, como todos sabem, que essa droga tem efeito terapêutico, em determinados casos. Uma produção controlada poderia, segundo ele, levar à geração de uma maconha com efeitos menos deletérios, graças à engenharia genética.
Tirando a maconha de cena e transformando-a num problema de saúde, o poder público e a polícia, na visão do governador do Rio, poderiam se concentrar nas drogas mais pesadas.

Gilberto Dimenstein

Nem o Serra...

"Nem o Serra faria assim. Nem ele colocaria tanto paulista em seu ministério." O comentário é de um aliado da presidente eleita, Dilma Rousseff, insatisfeito com o predomínio paulista na relação de nomes até agora anunciados oficialmente e entre os dados como certos no governo da petista.
Para evitar "curto-circuito" na relação com a futura presidente, o aliado pediu que seu nome não fosse identificado. Mas ele faz as contas: dos seis ministros anunciados oficialmente até aqui, cinco são paulistas e petistas. Todos ocupando os principais cargos do governo. Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e José Eduardo Cardozo (Justiça).
Sem falar em outros que estão na fila apenas aguardando a oficialização: Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Haddad (Educação) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais). Na avaliação do aliado de Dilma, que fez intensa campanha pela eleição da petista, trata-se, por enquanto, de um verdadeiro paulistério, que nem o candidato tucano, José Serra, teria de coragem de montar.
Como Serra não ganhou a eleição, é difícil dizer se ele realmente não faria algo parecido. A frase do apoiador de Dilma demonstra, porém, como a montagem da primeira equipe da presidente eleita está gerando insatisfação entre os que integram a sua base de apoio.
ESTRANHO, MUITO ESTRANHO
De um integrante da equipe de transição sobre os movimentos do PMDB nos últimos dias: "Eles estão estranhamente muito na deles. Pararam de fazer barulho e aceitaram a oferta da Dilma, mesmo perdendo ministérios mais importantes em troca de outros nem tanto assim". O receio é que o PMDB esteja armando algo nos bastidores para mostrar, mais à frente, a importância do partido no Congresso. Dono da maior bancada no Senado e da segunda na Câmara, sem os votos peemedebistas a presidente eleita não consegue aprovar seus projetos mais importantes no Legislativo.
O PMDB pode cobrar a fatura quando for feita a distribuição de cargos nas estatais. Até aqui, porém, Dilma tem emitido sinais de que, no caso de algumas empresas federais, não tem a intenção de nomear políticos para as principais diretorias. A conferir. Afinal, uma coisa é o desejo da presidente. Outra é a realidade de ser obrigada a montar uma base aliada no Congresso.
E O PP VAI FICANDO...
Quando Dilma começou a montar sua equipe, todos diziam que o PP perderia o comando do Ministério das Cidades. Afinal, o partido ficou neutro na disputa presidencial, não apoiou a petista. Em outras palavras, não podia reclamar. E Cidades entrou na lista de ministérios a serem oferecidos aos peemedebistas. Só que conversa daqui, conversa dali, aos poucos a equipe de Dilma foi notando que não pode dispensar o apoio do PP. E, agora, tudo indica que a pasta das Cidades ficará mesmo com os pepistas. Presidente do partido, Francisco Dornelles fez chegar aos ouvidos da presidente eleita o peso dos senadores e deputados do PP dentro do Congresso. Ao mesmo tempo, o partido fechou acordo com o PMDB da Câmara em torno da eleição da presidência da Câmara. Com isso, fez os peemedebistas desistirem da pasta das Cidades. Diríamos que teve gente no PP fazendo mágica. Até aqui, pelo menos.

Valdo Cruz

Os papéis do site WikiLeaks

Apesar de estar de folga, não poderia deixar de compartilhar com algum eventual leitor a análise de Moisés Naím sobre os papéis do site WikiLeaks. Saiu domingo em "El País". Reproduzi em espanhol mesmo porque o leitor é suficientemente apto para entender no original.
O autor é um acadêmico venezuelano radicado há anos nos Estados Unidos. Dirigiu a trimestral "Foreign Policy" até recentemente, é doutor em Economia pelo mitológico Instituto de Tecnologia de Massachusetts e meu companheiro no International Media Council criado pelo Fórum Econômico Mundial.
O texto me pareceu de extrema sensatez, o que não quer dizer que concorde com ele de A a Z. Discordo por exemplo do item 5. Acho que transparência, no fim do dia, sempre acaba favorecendo a democracia.
Mas você julgará melhor que eu. Segue o texto:
Despues de los ataques terroristas del 11-S, el lugar común repetido hasta la saciedad fue que el mundo había cambiado para siempre. No fue así. Cambiaron algunas cosas, pero para la inmensa mayoría la vida siguió igual. Lo mismo está pasando con Wikileaks. Las filtraciones sin duda tendrán consecuencias; algunas importantes. Pero en general serán menores de lo que ahora se anticipa. En torno a WikiLeaks se ha venido conformando un consenso que tiene varios aspectos que merecen discusión y refutación. Por ejemplo:
1. WikiLeaks ha debilitado a Estados Unidos. Para un país que gasta 50.000 millones de dólares al año en inteligencia es una vergüenza que le hayan robado todos estos secretos. Y es obvio que muchos de sus aliados están furiosos con los estadounidenses. Pero los cables difundidos hasta ahora muestran que Estados Unidos tiene el Gobierno con mayor coherencia entre lo que dice en público y lo que hace en privado. Aún no se nos ha revelado una hipocresía estadounidense comparable con las flagrantes mentiras de algunos de los jefes de Estado que aparecen en los cables. Por ahora parece claro que las filtraciones de Wikileaks han dañado más a otros países que a Estados Unidos.
2. La diplomacia estadounidense sale muy mal parada. No. Más bien todo lo contrario. Sorprendentemente, hasta ahora nadie ha encontrado errores garrafales en las informaciones o en los pronósticos contenidos en los cables. Hay chismes y aseveraciones temerarias. También se destapan actos bochornosos como las preguntas sobre el estado mental de Cristina Kirchner o el espionaje a Ban Ki-moon, el jefe de la ONU. Pero estos no son errores. En el mundo de la diplomacia, el error hubiese sido no haberlo hecho. "¡Para eso les pagamos!", exclama Leslie Gelb, el presidente emérito del Consejo de Relaciones Exteriores de Estados Unidos, un think tank privado. Según Gelb, los cables muestran al Gobierno estadounidense tratando de resolver seria y profesionalmente los problemas más acuciantes del mundo sin realmente tener el poder para imponerles a otros las soluciones. "Lo que veo en los cables", escribe Gelb, "es a diplomáticos sonsacando información sensible de líderes extranjeros, buscando caminos para la acción común y luchando por aplicar la dosis adecuada de presión a otros países. ¡Y ese es su trabajo!". Y añade: "El villano que claramente emerge de los cables no es Washington; son los líderes de otros países, que eluden tomar decisiones difíciles y se refugian en la hipocresía, la cobardía y las mentiras que les dicen a sus pueblos".
3. WikiLeaks ha sido manipulado por servicios de inteligencia. Según esta perspectiva, es lógico suponer que la CIA está detrás de esto. O el Mosad. O ambos. Puesto que los cables revelan que los países árabes mantienen en privado un rechazo a un Irán nuclear tanto o más furibundo que el sostenido públicamente por Israel y Estados Unidos, entonces, dicen algunos, es natural suponer que sus espías hayan adulterado los cables. Lo mismo ha insinuado Vladímir Putin con respecto a las revelaciones sobre Rusia: "Alguien está engañando a Wikileaks por motivos políticos", ha dicho. En el mundo del espionaje todo es posible. Pero lo que ya sabemos sobre los objetivos y la manera de operar de Wikileaks y su jefe, Julian Assange, no permite darle mucho crédito a esta visión de una conspiración encajada dentro de una - o varias - más.
4. Ningún alto funcionario compartirá información con los estadounidenses. Así es. Pero esto no durará mucho. Ningún país se puede dar el lujo de mantener truncadas sus vías de comunicación con Estados Unidos. Habrá intereses, emergencias y necesidades que obligarán a restablecer intercambios diplomáticos más fluidos. Y Washington ya está trabajando activamente en crear nuevas tecnologías, canales de comunicación y procedimientos que le permitan ofrecer garantías creíbles y recuperar la confianza que le han perdido sus interlocutores foráneos.
5. La absoluta transparencia gubernamental es lo mejor para la sociedad. No. El problema es que las democracias son más vulnerables a la presión en este sentido que las dictaduras. Esta asimetría lleva a que, en la arena internacional, las democracias se ven obligadas a competir en desventaja con las tiranías, los terroristas y redes criminales que son sociedades secretas. Otro efecto indeseado de filtraciones como las de WikiLeaks es que la lucha por un mundo transparente, donde forzamos a los Gobiernos a revelarlo todo, puede conducir a que, sin quererlo, le hagamos más fácil la vida a los tiranos.

Clóvis Rossi

Guadalajara

Passei cinco dias em Guadalajara, no México, para cobrir e acompanhar a 24ª edição da Feria Internacional del Libro. Trata-se do maior evento literário da América Latina, voltado ao mercado de língua hispânica, reunindo 1.900 editoras e 620 eventos com autores durante uma semana.
Reprodução
Neste ano, a festa aconteceu num momento muito particular para o México. Apesar de estar lidando com números assombrosos de violência --consequência da ofensiva declarada pelo presidente Felipe Calderón contra o narcotráfico--, duas datas têm trazido à tona discussões sobre a história do país. A saber, os 200 anos do começo das lutas de independência (em setembro) e os 100 anos da Revolução Mexicana (em novembro).
O México, tradicionalmente, sempre teve uma produção editorial grande na área de história. Porém, neste ano, por conta das efemérides, esta parece ter ganho novo fôlego. Uma rápida conferida nos estandes de editoras importantes, como a Fondo de Cultura Económica ou a Siglo XXI, demonstram isso. Surgiram reedições de obras famosas, como as de Martín Luiz Gusmán ("El Águila y la Serpiente", "Memórias de Pancho Villa"), biografias dos líderes revolucionários e novos estudos sobre o período da ditadura de Porfírio Diaz.
Mas uma das coisas mais interessantes relacionadas ao tema foi uma exposição que vi paralelamente, no Museu Regional de Guadalajara, imponente edifício no coração do centro histórico da cidade.
Trata-se de uma mostra que reúne fotografias e filmes de várias etapas do processo revolucionário que sacudiu o país por praticamente dez anos a partir de 1910. Como bem observou o escritor Juan Villoro em artigo recente para o "El País", a Revolução Mexicana chegou acompanhada de um potente invento do século 20, o cinema. Assim, "os olhos de Zapata, os sombreiros largos, os ataques das cavalarias passaram do campo à tela e desde aí ao imaginário".
Reprodução
Nas fotos e filmes reunidos no museu estão imagens como estas e muitas mais. Foram captadas por fotógrafos e cinegrafistas mexicanos, inicialmente, depois também por norte-americanos que cruzaram a fronteira para cobrir o conflito. Veem-se milícias formadas por adolescentes, pelotões de fuzilamento prontos a atuar, mortos e feridos espalhados pelo chão, além das aparições públicas de governantes, como o ornamentado Díaz, e depois Francisco I. Madero e Venustiano Carranza, todos imortalizados em fotos amareladas e em película.
A FIL Guadalajara também abrigou lançamentos de livros sobre os processos de independência de outros países latino-americanos, que também comemoram o bicentenário em 2010. Uma das obras mais elogiadas foi a do colombiano William Ospina, "En Busca de Bolívar" (Ed. Norma).
Nela, o autor dialoga com as principais biografias já existentes do prócer, como as de Gerhard Masur ("Simón Bolívar) e de John Lynch ("Simón Bolívar - A Life"), mas propõe um caminho distinto.
Sem deixar de seguir um roteiro cronológico, Ospina menospreza datas de decisões e batalhas e faz um ensaio em que tenta especular sobre como Bolívar teria se sentido ou pensado antes de cada uma delas. É, antes de tudo, uma análise das ideias então em debate naquele contexto.
Entre as passagens mais marcantes do livro está aquela em que ele investiga a ambígua e trágica relação de Bolívar com o veterano revolucionário Francisco de Miranda. Ou os momentos em que tenta mapear as origens do pensamento do libertador, remontando à influência que teve sobre ele o filósofo e tutor Simón Rodriguez --imortalizado numa curiosa foto, que estampa hoje uma das notas dos bolívares venezuelanos, em que aparece com os óculos fora de lugar.
O ponto alto da obra, porém, é quando Ospina especula sobre a força que a imagem de Napoleão teve sobre o jovem Bolívar. O colombiano analisa a ambiguidade dessa referência. Se por um lado Bolívar era contra o novo símbolo de poder absoluto no qual Napoleão se transformava, admirava seu ideal de dar uma unidade a uma grande área.
No final, temos um retrato complexo do aristocrata que abriu mão de sua fortuna em nome da independência das Américas, mas que sempre se sentiu dividido entre sua origem e o que propunha de novo para o futuro. Não há referências sobre o uso político que hoje se faz de seu personagem, mas fica claro que nada poderia ser mais distante entre a figura retratada por Ospina e o ícone a que Hugo Chávez recorre a todo instante.
Também topei, na FIL, com outros novos trabalhos históricos de vários países latino-americanos. É de se ficar torcendo para que editoras aqui no Brasil manifestem algum interesse na tradução e publicação de pelo menos alguns deles.

Sylvia Colombo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Minha Casa, Minha (nova) Vida!



Blog de Josias de Souza

Roussilva!



Blog de Josias de Souza

sábado, 4 de dezembro de 2010

Os pássaros!



Blog de Josias de Souza